CPAL: rede entre os centros sociais da SJ
fevereiro 27, 2009 by Setor Social BNE
Filed under Reflexão
A CPAL - Conferência de Provinciais da América Latina junto aos Diretores de obras sociais realizaram um encontro em Manaus - AM, Brasil, onde frisaram a necessidade de abrir novos caminhos na criação de redes entre os Centros Sociais da Companhia, que possam oferecer uma reflexão mais apurada sobre a América Latina como da atuação destes Centros em nosso continente.
O programa básico de atuação planejado visa a criação de uma REDE:
1) Ampliar a relação com as Universidades.
2) Construção de uma análise de contexto/conjutura da América Latina, que será coordenada pelo centro Gumilla de Venezuela, entre outras iniciativas. O CEAS, como Centro Social da Companhia de Jesus, já incluio no seu Planejamento anual as contrubuições sobre a realidade do Nordeste brasileiro e outras análises com seus públicos… para serem enviadas ao Centro Guimilhas.
As boas notícias da CPAL
fevereiro 27, 2009 by Setor Social BNE
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por Ernesto Cavassa, S.J., presidente da CPAL.
“Enquanto o apostolado social não puder fazer ouvir a sua voz de uma maneira ou de outra no governo da Companhia, a dimensão social de todos os nossos ministérios, para não falar do apostolado social, será letra morta” nos dizia o P. Geral em seu discurso inaugural da reunião de Superiores Maiores do ano passado em Loyola. Os responsáveis por este setor não ficaram calados. Durante o último ano foram-nos chegando várias boas notícias. Sigamos uma a uma.
1ª Centros Sociais: Em outubro do ano passado houve, em Bogotá, a primeira reunião dos Centros, após um longo período de interrupção destes encontros. Assistiram representantes de 19 instituições de 12 países, mais ou menos a metade dos que tem a Companhia na região. A reunião foi uma ocasião para compartilhar a situação atual dessas obras, uma série de propostas organizativas e de formação sobre assuntos de identidade e missão e a reflexão sobre o tema fé-justiça com vistas à próxima Congregação Geral 35. Eles solicitaram aos Provinciais a constituição de um sub-sector dentro do setor social da CPAL, pedido que foi aceito na última assembléia, em Santiago.
2ª Serviço Jesuíta a Refugiados: A edição da “Memória Anual 2005” do Serviço Jesuíta a Refugiados (SJR) apresenta um percurso dos 25 anos deste serviço, criado pelo P. Pedro Arrupe em 1980. O SJR está trabalhando em 7 países da América Latina e do Caribe prestando assistência psico-social, educativa, pastoral, financeira e legal a quase 25 mil pessoas: desalojados, refugiados, imigrantes forçosos, meninos e adolescentes em risco e famílias camponesas. Três livros comemoram o aniversário: “A ferida da fronteira: 25 anos com os refugiados”, “Horizontes de Aprendizagem: 25 anos de educação no SJR” e “Deus no exílio, para uma espiritualidade compartilhada com os refugiados”. Durante o ano o Serviço para os Migrantes também foi avançando em uma melhor articulação com seus referentes nos Estados Unidos e na Europa para responder de modo mais adequado a este fenômeno. Está-se procurando o melhor modo de gerar sinergias entre ambos serviços, tal como foi solicitado pelo P. Geral.
3ª Globalização e Marginalização: Em fevereiro deste ano o Secretariado para a Justiça Social nos enviou,“com grande alegria, humildade e esperança”, o documento Globalização e Marginalização. Nossa resposta apostólica global. Este texto recolhe os frutos de um ano e meio de reflexão de um grupo de trabalho constituído para tal efeito e integrado por 8 jesuítas de diversas áreas da Companhia. O documento está dirigido em primeiro lugar aos companheiros no apostolado jesuíta e se orienta a “compreender a globalização e a marginalização” (cap. 1), desenvolver uma “reflexão sobre nosso mundo” (cap 2), “viver como companheiros no apostolado jesuíta em um mundo global” (cap 3) e propor “novas estratégias apostólicas globais” (cap 4). Contém, além disso, como anexo, os relatórios regionais (incluindo, é obvio, América Latina e Caribe) e como prólogo uma visão geral que facilita sua leitura. Há uma série de contribuições que ultrapassam o apostolado social e podem ser também muito úteis para outros setores; por exemplo, os princípios-guia, os critérios de discernimento, a relação entre missão e governo apostólico em um mundo global. Tudo isto torna este documento um instrumento idôneo para a preparação da Congregação Geral 35.
4ª Jovens Jesuítas e Apostolado Social: Um mês mais tarde, o mesmo Secretariado distribuiu, a nível interno, os resultados de uma pesquisa sobre “formação, nossa missão e o apostolado social” que reflete o sentir dos jovens jesuítas com respeito a este ministério. Este estudo trabalha sobre 1.012 respostas (aproximadamente 20% dos escolásticos) procedentes de todas as Assistências da Companhia. É interessante saber que para mais da metade (53%), a busca de justiça social desempenhou um papel importante (28%) ou muito importante (25%) na raiz de sua vocação; para 46% os anos de formação inicial foram chaves na consciência da missão fé e justiça; além disso, a grande maioria considera que os jesuítas devem dar um contribuição específica neste campo. De outra parte, são poucos (20%) os que manifestam ter recebido alguma formação em ciências sociais ou no ensino social católico. Os escolásticos latino-americanos manifestaram interesse em responder a pesquisa. São os que mostram o compromisso mais forte pelo tema fé – justiça e interesse pelo apostolado social, apóiam a formação recebida neste campo e estão convencidos do papel específico da justiça social na Companhia. A pesquisa revela, no entanto, que devemos cuidar da formação especializada de nossos jovens visto que reconhecem desconhecer o ensino social da Igreja e ter pouca formação em ciências sociais. Por isso, na assembléia da CPAL em abril, o P. Geral nos solicitou “destinar um número maior de jesuítas ao estudo sério das ciências sociais, políticas e éticas a nível de pós graduação e de doutorado” e, além disso, “criar estruturas apropriadas em nossos centros de formação para que os escolásticos possam ser acompanhados em suas experiências apostólicas no campo da justiça social”.
5ª. Discurso breve do P. Geral aos Provinciais: Na mesma assembléia, o P. Geral volta a expor a urgência do tema em seu discurso aos Provinciais, tendo como ponto de partida o cenário que se vislumbra na região para o futuro próximo. Os traços principais assinalados por ele (desigualdade e pobreza, violência, insatisfação social, fragmentação do tecido social, deslocamento forçado de grandes massas de marginalizados) recolhem o que a própria Assembléia já tinha formulado em “Princípio e Horizonte” e no documento de trabalho elaborado em Florianópolis. Não caiu mal recordá-lo neste ano eleitoral em que doze países realizaram eleições presidenciais e o debate político há tocaram estes temas.
6ª Oficina sobre mística do apostolado social: realizou-se com 45 participantes, na República Dominicana, sob a condução do coordenador do setor social da CPAL. Tratou-se de compartilhar o sentido de nossa presença atual neste apostolado dentro de uma tradição inscrita na Companhia desde seus tempos iniciais.
7ª Apostolado Indígena: acaba de reunir-se, no Guamote (Equador), um grupo significativo de jesuítas que trabalham nos meios indígenas para preparar uma proposta sobre este setor apostólico, a ser apresentada nas Congregações Provinciais como postulados à próxima Congregação Geral. Finalmente, para entrar mais e melhor no debate do político, o setor social organizou um seminário em Limpio (Asunción, Paraguai) a realizar-se de 12 ao 14 deste mês. O objetivo é “contribuir para o estabelecimento de uma sociedade latino-americana mais justa e democrática, mediante processos de formação que fortaleçam o exercício responsável da cidadania e do poder”. Trata-se, em concreto, de “impulsionar um projeto de formação política no maior número possível de países e dar origem a uma estrutura que permita apoiar o desenvolvimento comum de diversos projetos no continente”. O seminário deve contribuir para o desenho deste projeto em benefício de todos aqueles que apostam numa sociedade solidária e, em particular, de líderes de organizações sociais e políticas, movimentos comunitários, agentes pastorais, comunicadores sociais e outros profissionais com incidência social. Por ocasião do seminário, acontecerá também a segunda reunião dos Centros Sociais, a reunião anual de coordenadores provinciais do setor e reuniões conjuntas dos serviços para refugiados e migrantes. Ao menos na América Latina, este setor se encontra em movimento e enviando-nos boas notícias. Auguramos-lhes o maior êxito no seminário e nas reuniões deste mês para bem de todos os que desejamos um setor social fortalecido e inspirador do conjunto da ação apostólica na América Latina. Em terra de mártires, como o é o Paraguai, devem germinar novas e boas propostas.
FONTE: site da CPAL, setembro de 2006
