Leigos e Jesuítas no Apostolado Social na América Latina
fevereiro 27, 2009 by Setor Social BNE
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Há na América Latina (AL), hoje, quatro Centros Sociais onde leigos e Jesuítas compartilham a reflexão em um mesmo instituto da Comapanhia de Jesus. Em nossa Província o CEAS – Centro de Estudos e Ação Social – fundado em 1967. Na Província peruana o CCAIJO – Centro de Capacitação Agro-Industrial Jesus Obreiro – Fundado 1972 e o CINEP - Centro de Investigação e Educação Popular - fundado em 1972. E, na Província da colômbia, o PpP – Programa pela Paz – fundado em 1987.
Segundo o Pe. Jorge, há elementos comuns na história destes quatro centros: a começar pela iniciativa da Companhia de Jesus em cada país de se comprometer na busca de soluções para as injustiças sociais. Em todos os centros houve jesuítas fundadores, no CEAS, por exemplo, todos os seus membros foram jesuítas, mas o que nos interessa aqui é refletir o surgimento da importante colaboração de leigos/as na relação da Companhia com esses centros sociais.
Depois da 34ª congregação Geral a colaboração de leigos nos centros sociais deixa de ser de caráter utilitária (necessária na sobrevivência da obra), e passa a ser considerada como um sinal dos novos tempos, parte essencial da condição da comunidade eclesial como um só corpo com diversos membros, na qual a cabeça não pode substituir as outras partes do corpo. O caráter do trabalho realizado nos centros sociais, afirma Mejié, que exige formação em ciências sociais, incluindo formação marxista, esperteza e desenvolvimento, técnicas especiais, mais as tensões da AL devido ao compromisso social dos cristãos iluminados por essa reflexão de fé sobre o seu compromisso com a justiça (Teologia da Libertação), induz a um trabalho bastante secularizado, além de criar na Companhia certas dificuldades em construir o caráter inaciano destas obras além da resistências dos jovens jesuítas de se aventurarem em obras que exigan esse perfil.
Característica da colaboração Leigos e Jesuítas.
No que foi desenvolvemos até aqui temos que destacar algusn pontos de encontro e desencontro nestes trabalho multo: Sem sobra de dúvida, o serviço dos pobres e a perspetiva de mudar as estruturas sociais, junto a natureza humanista de nossa opção foram pontos integradores deste trabalho, mas, ao memso tempo, a dificuldade do tranalho nos como missão da Companhia, na perspectiva de tomar parte em um corpo tão diverso, se apresentava como dificuldade. Pois, alguns dos companheiros que integraram as equies não são crentes, se declaram agnósticos ou simplesmente indiferentes. No intanto há um eixo comum: um projeto pessoal e de vida a serviço da causa dos amis pobres, que busca a justiça social e a paz. Isto paz com que, em definitivo, a colaboração possa se firmar nos laços criados por tarefas conjuntas, análise comuns da situação, tarefas e encargos assumidos em equipe ou melhor, a solidariedade assumida e estabelecida nos momentos mais complexos e dolorosos.
“Trabalhar em uma obra da Companhia significa ter um projeto de vida a serviço dos pobres e excluídos e até tomar parte, ater certo ponto, deste corpo apostólico. Tal pertença não é fruto de um contrato (jurídico): é um espírito compartilhado. O projeto de vida e serviço, os valores comuns em torno do trabalho social criam um laço especial, porque se compartilha um projeto fundador de uma obra a que se pertence.”
Tanto leigos como jesuítas neste plano, são iguais por compartilhar, antes que nada, da condição humana que os qualifica. São iguais em quanto se identificam num compromisso comum: trabalhando pela solidariedade buscando formar a justiça social que transformem as condições de mais de 50% dos habitantes do continente AL. São igual enquanto, na medida em que convivêm com os pobres (povo de vida simples), tornam-se protegidos da indiferença, sensibilizados para viver comunitáriamente e para ter o grupo como ponto de referência principalmente no tratamento dos conflitos. Naão podemos esquecer que há diferença na forma como se trata a fé religiosa (Agnósticos, religiosos, casados, solteiros e outros, todos vivendo em atitude de socidariedade e compromisso com a vida). Se construindo e construindo juntos a identidade deste serviço na opção preferencial pelos pobres; mediadas pela reflexão para o crescimento de uma ação bem fundamentada considerando os processo educativos necessários para o crescimento e a justiça social; o trato personalizado da equipe de trabalho; na transparência da pestação de contas,esuma,na busca constante pela ‘Maior Serviço”.
Em definitivo esses Centros são obras de fronteira. Trabalhar neles é criar um cenário plural, diverso, que nos é de grande riqueza porque se alimenta o anti-dogmatismo. O Contato com os pobres é criar uma atitude de humanismo, importante uma vez que superaram-se os radicalismos dos anos 70 e 80 (muitos dos quais resultam em grande medida de uma reação de indignação ante a dura situação dos pobres, mais que de uma livre opção ideológica e metodológica de seguimentos comprometidos com as classes populares).
O trabalho social converte jesuítas e leigos/as em companheiros de vida porque compartilham a mesma experiência, lado a lado, da vida do povo pobre, na conflitividade social e o sofrimento do povo. Neles, também, há sempre uma magnífica oportunidade de crescimento de outra maneira de ser profissional.
CPAL: rede entre os centros sociais da SJ
fevereiro 27, 2009 by Setor Social BNE
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A CPAL - Conferência de Provinciais da América Latina junto aos Diretores de obras sociais realizaram um encontro em Manaus - AM, Brasil, onde frisaram a necessidade de abrir novos caminhos na criação de redes entre os Centros Sociais da Companhia, que possam oferecer uma reflexão mais apurada sobre a América Latina como da atuação destes Centros em nosso continente.
O programa básico de atuação planejado visa a criação de uma REDE:
1) Ampliar a relação com as Universidades.
2) Construção de uma análise de contexto/conjutura da América Latina, que será coordenada pelo centro Gumilla de Venezuela, entre outras iniciativas. O CEAS, como Centro Social da Companhia de Jesus, já incluio no seu Planejamento anual as contrubuições sobre a realidade do Nordeste brasileiro e outras análises com seus públicos… para serem enviadas ao Centro Guimilhas.
As boas notícias da CPAL
fevereiro 27, 2009 by Setor Social BNE
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por Ernesto Cavassa, S.J., presidente da CPAL.
“Enquanto o apostolado social não puder fazer ouvir a sua voz de uma maneira ou de outra no governo da Companhia, a dimensão social de todos os nossos ministérios, para não falar do apostolado social, será letra morta” nos dizia o P. Geral em seu discurso inaugural da reunião de Superiores Maiores do ano passado em Loyola. Os responsáveis por este setor não ficaram calados. Durante o último ano foram-nos chegando várias boas notícias. Sigamos uma a uma.
1ª Centros Sociais: Em outubro do ano passado houve, em Bogotá, a primeira reunião dos Centros, após um longo período de interrupção destes encontros. Assistiram representantes de 19 instituições de 12 países, mais ou menos a metade dos que tem a Companhia na região. A reunião foi uma ocasião para compartilhar a situação atual dessas obras, uma série de propostas organizativas e de formação sobre assuntos de identidade e missão e a reflexão sobre o tema fé-justiça com vistas à próxima Congregação Geral 35. Eles solicitaram aos Provinciais a constituição de um sub-sector dentro do setor social da CPAL, pedido que foi aceito na última assembléia, em Santiago.
2ª Serviço Jesuíta a Refugiados: A edição da “Memória Anual 2005” do Serviço Jesuíta a Refugiados (SJR) apresenta um percurso dos 25 anos deste serviço, criado pelo P. Pedro Arrupe em 1980. O SJR está trabalhando em 7 países da América Latina e do Caribe prestando assistência psico-social, educativa, pastoral, financeira e legal a quase 25 mil pessoas: desalojados, refugiados, imigrantes forçosos, meninos e adolescentes em risco e famílias camponesas. Três livros comemoram o aniversário: “A ferida da fronteira: 25 anos com os refugiados”, “Horizontes de Aprendizagem: 25 anos de educação no SJR” e “Deus no exílio, para uma espiritualidade compartilhada com os refugiados”. Durante o ano o Serviço para os Migrantes também foi avançando em uma melhor articulação com seus referentes nos Estados Unidos e na Europa para responder de modo mais adequado a este fenômeno. Está-se procurando o melhor modo de gerar sinergias entre ambos serviços, tal como foi solicitado pelo P. Geral.
3ª Globalização e Marginalização: Em fevereiro deste ano o Secretariado para a Justiça Social nos enviou,“com grande alegria, humildade e esperança”, o documento Globalização e Marginalização. Nossa resposta apostólica global. Este texto recolhe os frutos de um ano e meio de reflexão de um grupo de trabalho constituído para tal efeito e integrado por 8 jesuítas de diversas áreas da Companhia. O documento está dirigido em primeiro lugar aos companheiros no apostolado jesuíta e se orienta a “compreender a globalização e a marginalização” (cap. 1), desenvolver uma “reflexão sobre nosso mundo” (cap 2), “viver como companheiros no apostolado jesuíta em um mundo global” (cap 3) e propor “novas estratégias apostólicas globais” (cap 4). Contém, além disso, como anexo, os relatórios regionais (incluindo, é obvio, América Latina e Caribe) e como prólogo uma visão geral que facilita sua leitura. Há uma série de contribuições que ultrapassam o apostolado social e podem ser também muito úteis para outros setores; por exemplo, os princípios-guia, os critérios de discernimento, a relação entre missão e governo apostólico em um mundo global. Tudo isto torna este documento um instrumento idôneo para a preparação da Congregação Geral 35.
4ª Jovens Jesuítas e Apostolado Social: Um mês mais tarde, o mesmo Secretariado distribuiu, a nível interno, os resultados de uma pesquisa sobre “formação, nossa missão e o apostolado social” que reflete o sentir dos jovens jesuítas com respeito a este ministério. Este estudo trabalha sobre 1.012 respostas (aproximadamente 20% dos escolásticos) procedentes de todas as Assistências da Companhia. É interessante saber que para mais da metade (53%), a busca de justiça social desempenhou um papel importante (28%) ou muito importante (25%) na raiz de sua vocação; para 46% os anos de formação inicial foram chaves na consciência da missão fé e justiça; além disso, a grande maioria considera que os jesuítas devem dar um contribuição específica neste campo. De outra parte, são poucos (20%) os que manifestam ter recebido alguma formação em ciências sociais ou no ensino social católico. Os escolásticos latino-americanos manifestaram interesse em responder a pesquisa. São os que mostram o compromisso mais forte pelo tema fé – justiça e interesse pelo apostolado social, apóiam a formação recebida neste campo e estão convencidos do papel específico da justiça social na Companhia. A pesquisa revela, no entanto, que devemos cuidar da formação especializada de nossos jovens visto que reconhecem desconhecer o ensino social da Igreja e ter pouca formação em ciências sociais. Por isso, na assembléia da CPAL em abril, o P. Geral nos solicitou “destinar um número maior de jesuítas ao estudo sério das ciências sociais, políticas e éticas a nível de pós graduação e de doutorado” e, além disso, “criar estruturas apropriadas em nossos centros de formação para que os escolásticos possam ser acompanhados em suas experiências apostólicas no campo da justiça social”.
5ª. Discurso breve do P. Geral aos Provinciais: Na mesma assembléia, o P. Geral volta a expor a urgência do tema em seu discurso aos Provinciais, tendo como ponto de partida o cenário que se vislumbra na região para o futuro próximo. Os traços principais assinalados por ele (desigualdade e pobreza, violência, insatisfação social, fragmentação do tecido social, deslocamento forçado de grandes massas de marginalizados) recolhem o que a própria Assembléia já tinha formulado em “Princípio e Horizonte” e no documento de trabalho elaborado em Florianópolis. Não caiu mal recordá-lo neste ano eleitoral em que doze países realizaram eleições presidenciais e o debate político há tocaram estes temas.
6ª Oficina sobre mística do apostolado social: realizou-se com 45 participantes, na República Dominicana, sob a condução do coordenador do setor social da CPAL. Tratou-se de compartilhar o sentido de nossa presença atual neste apostolado dentro de uma tradição inscrita na Companhia desde seus tempos iniciais.
7ª Apostolado Indígena: acaba de reunir-se, no Guamote (Equador), um grupo significativo de jesuítas que trabalham nos meios indígenas para preparar uma proposta sobre este setor apostólico, a ser apresentada nas Congregações Provinciais como postulados à próxima Congregação Geral. Finalmente, para entrar mais e melhor no debate do político, o setor social organizou um seminário em Limpio (Asunción, Paraguai) a realizar-se de 12 ao 14 deste mês. O objetivo é “contribuir para o estabelecimento de uma sociedade latino-americana mais justa e democrática, mediante processos de formação que fortaleçam o exercício responsável da cidadania e do poder”. Trata-se, em concreto, de “impulsionar um projeto de formação política no maior número possível de países e dar origem a uma estrutura que permita apoiar o desenvolvimento comum de diversos projetos no continente”. O seminário deve contribuir para o desenho deste projeto em benefício de todos aqueles que apostam numa sociedade solidária e, em particular, de líderes de organizações sociais e políticas, movimentos comunitários, agentes pastorais, comunicadores sociais e outros profissionais com incidência social. Por ocasião do seminário, acontecerá também a segunda reunião dos Centros Sociais, a reunião anual de coordenadores provinciais do setor e reuniões conjuntas dos serviços para refugiados e migrantes. Ao menos na América Latina, este setor se encontra em movimento e enviando-nos boas notícias. Auguramos-lhes o maior êxito no seminário e nas reuniões deste mês para bem de todos os que desejamos um setor social fortalecido e inspirador do conjunto da ação apostólica na América Latina. Em terra de mártires, como o é o Paraguai, devem germinar novas e boas propostas.
FONTE: site da CPAL, setembro de 2006
Apostolado Social 35ª CG
fevereiro 27, 2009 by Setor Social BNE
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por Geraldo De Mori SJ
Os Decretos da 35ª CG que tratam de aspectos que identificamos como pertencendo ao apostolado social da Companhia de Jesus são basicamente os que retomam a questão de nossa identidade (Um fogo que acende outros fogos. Redescobrindo nosso carisma) e missão (Desafios para nossa missão hoje. Enviados às fronteiras). Nesses textos, mais que de um apostolado em particular, busca-se reinterpretar o que somos e fazemos enquanto jesuítas, à luz das grandes transformações em curso no mundo de hoje, como as provocadas pela globalização econômica e comunicacional e as oriundas da crise ecológica e da cultura pós-moderna. Nesse contexto, a CG 35ª reafirma vigorosamente a opção das CG 32ª a 34ª, a saber, o compromisso com a justiça, a evangelização inculturada e o diálogo com as outras religiões. Uma categoria privilegiada no Decreto sobre os desafios da missão foi a do chamado a estabelecer relações justas (com Deus, com os outros e com a criação), baseadas na idéia de reconciliação. A imagem das fronteiras também foi utilizada como inspiradora desses Decretos, além de ter sido retomada pelo Papa como traduzindo o lugar dos jesuítas na Igreja. O Decreto da missão assumiu, como o havia proposto há alguns anos o Pe. Kolvenbach, a questão da migração e dos refugiados como uma das cinco preferências apostólicas da Companhia hoje.
Além dessa retomada das orientações das últimas CG, que fecundaram todos os campos da missão da Companhia depois do Vat. II e suscitaram muitas atividades no campo do apostolado social, a CG 35ª abordou vários temas mais propriamente identificados com o apostolado social. Entre eles se destacam: migrantes; ecologia, meio ambiente e globalização; povos indígenas. Eles não deram origem a Decretos, pois faziam parte das “Questões para o governo ordinário”, mas suscitaram um vivo debate e interesse de todos os congregados.
Como se pode ver, mais que novos Decretos sobre os grandes setores a partir dos quais a Companhia desenvolve sua missão, e mais que novas orientações sobre as frentes apostólicas a serem privilegiadas hoje, a CG 35ª optou por reafirmar o que já foi dito nas CG anteriores. Esta decisão deve-se à consciência que ela teve de que o que foi dito nos últimos 40 anos não só é ainda válido, mas que necessita ser implementado, num novo processo de recepção e invenção criativa, que nos conduza com ousadia às “novas nações” às quais se referia o Pe. Adolfo Nicolás na homilia que fez na primeira missa em que presidiu como Geral: “nações, não geográficas, mas humanas reclamam nossa assistência: os pobres, os marginalizados, os excluídos. Neste mundo globalizado aumenta o número dos que são excluídos por todos. Dos que são diminuídos, porque na sociedade só têm lugar os grandes, não os pequenos. Todos os inferiorizados, manipulados, todos estes, são talvez para nós estas nações”.
O que foi dito na 35ª CG é alentador para o trabalho social de nossa Província, tão bem expresso em seu Plano Apostólico, seja na definição de nossa identidade e missão, seja nos princípios que orientam nossa ação, seja na área estratégica que traduz nosso compromisso social, seja nas obras do setor Justiça Social. Com certeza, os Decretos desta CG contribuirão para que se reacenda em nós o “fogo que acende outros fogos”, sobretudo nessa dimensão e setor que quer servir aos mais pobres desta região do Brasil à qual somos enviados em missão.
O Setor Social na Companhia de Jesus
fevereiro 27, 2009 by Setor Social BNE
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“A pesquisa social é uma ferramenta que nos ajuda a descobrir os sinais dos tempos nessa complexa rede de estruturas que caracteriza hoje o nosso mundo.” Esta é a percepção dos coordenadores do Apostolado Social, jesuítas e leigos comprometidos com o assunto em questão, que se reuniram em Roma (Itália), para discutir os rumos da pesquisa social e seus aspectos mais positivos. Na ocasião, frases de Inácio de Loyola extraídas de Exercícios Espirituais n. 106, como “Nosso tempo põe cada vez mais em relevo a importância de saber olhar o mundo para entender a diversidade de culturas e credos; identificar em sua realidade social as divisões de homens e mulheres que buscam respostas”, nortearam a discussão acerca da pesquisa social.
