Encontro geral do Tramando a Paz no CEAS

fevereiro 27, 2009 by Setor Social BNE  
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O CEAS – Centro de Estudos e Ação Social anuncia para o próximo final de semana, 15 a 16 de novembro, a realização do encontro geral de jovens do Porjeto Tramando a Paz em Salvador – BA O tema será O papel da juventude no contexto popular. Na ocasição contaremos com a colaboração do facilitador Ir. Paulo José da Silva, SJ (Ir. Paulinho), que virá de Belo Horizonte –MG para assessorrar o encontro.

Neste evento contamos com a presença de aproximadamente 85 jovens vindos dos dois pólos de atuação da entidade: pólo rural e urbano. Do campo, município de Encruzilhada – BA, contamos com a presença de jovens de cinco assentamentos animados pelo CETA e MPA e do Sul do Estado contamos com jovens de mais 10 assentamento; além destes, outros do pólo rurbano: Bairro da Paz, Gamboa de Baixo e Marechal Rondom (três bairros populares de Salvador). Como afirma o convite do encontro: “Depois de uma espera tão longa, chegou o tempo, pois tanto os/as jovens da cidade como os/as do campo desejam muito este encontro, desejam muito se conhecer e trocar experiências. Desejam muito tramar novas formas de continuar avançando, pensando num mundo novo, que virá…”

Partilha: Magistério no CEAS

fevereiro 27, 2009 by Setor Social BNE  
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por Felipe de A. Soriano, SJ

Nas minhas idas e vindas, cheguei ao CEAS… A missão recebida foi colaborar com o Projeto Tramando a Paz, que é uma iniciativa do CEAS junto à juventude das áreas onde atua. O projeto começou no Bairro da Paz em 2007 e previa a abordagem direta da juventude promovendo eventos culturais (Dança, Capoeira, Teatro) e formação. Como dissera um dos jovens das comunidades: “tudo que vemos aqui é todos tramando a guerra…” O projeto já vem sendo desenvolvido pelo CEAS há um ano, mas, em Salvador, demonstrava algumas deficiências principalmente na formação, pois as oficinas atraem muito mais os jovens do que as formações… como é comum para os jovens dos centros urbanos.

Na cidade de Salvador o projeto ganhou marcas muito distintas, pois as oficinas foram definidas pelos públicos… além daquelas já esperadas por nós como a capoeira e o teatro, surgiu uma novidade que não fora contemplada pelo projeto anteriormente. Tanto as comunidades de Gamboa de Baixo como a de Marechal Rondon optaram por futebol. Então, ambas comunidades inseriram no projeto esta modalidade de oficina, dando assim uma vitalidade ímpar ao projeto. Para melhor garantir o acompanhamento das atividades a equipe urbana, que é composta por cinco membros, assumiu, além das atividades normais de assessoria às entidades e associações, o acompanhamento e formação dos jovens do projeto nas três áreas da cidade.

Em Marechal, onde venho atuando mais fortimente, o instrutor Hélio dá o tom das oficinas mantendo o grupo de 40 jovens em boa forma física, além de bem preparado para campeonatos. Na última formação desenvolvemos o tema da história do bairro resgatando as lutas da independência de Salvador que se deram nas proximidades do Dique de Campinas, que é o marco de luta dos moradores pela permanência na localidade. Pois, a entrada do CEAS na comunidade se deu por uma intervenção arbitrária do poder público, que previa a desapropriação dos moradores sem uma negociação com a comunidade sobre os rumos do projeto de revitalização do Dique e sem garantir uma indenização justa aos moradores. Hoje, depois da intervenção dos moradores no projeto do Estado, o poder público negocia com as lideranças comunitárias os encaminhamentos da urbanização do Dique, além de garantir uma indenização mais equânime ou moradia para todas as famílias atingidas pelo programa.

O projeto Tramando a Paz, afirma os moradores, só fortalece a caminhada de luta do bairro, além de incorporar os jovens nesta mesma caminhada. A formação, segundo os moradores, vem responder outra demanda que preocupa as comunidades que é o tráfico de drogas, que vem crescendo em toda cidade de Salvador. A retomada das atividades formativas nos possibilita, hoje, recuperar as premissas do projeto e preparar a primeira formação ampliada do pólo Salvador na sede do CEAS.

Lançando um olhar sobre todas as nossas áreas podemos afirmar, sem sombra de dúvida, que o tema que toca todas as comunidades é o da violência urbana e o tráfico das drogas, pois todas as comunidades vêem sofrendo direta ou indiretamente o mesmo mal (se pode imaginar a ressonância dessa realidade sobre a juventude).

Então, no dia 20 de julho de 2008, iremos realizar mais uma atividade formativa do projeto com aproximadamente 65 jovens durante todo o dia na sede do CEAS, querendo, mais adiante, realizar mais uma como essa e outra ampliada com todos os jovens dos cinco assentamentos do sudoeste da Bahia e um do Sul e com as três comunidades de Salvador. O meu magistério no CEAS vem sendo vivido assim: além do Tramando a Paz venho me dedicando aos Cadernos do CEAS, colaborando na equipe editorial e na dimensão institucional da entidade.

No Setor Social da Província, colaboro na confecção do Boletim “Apostolado Social” junto ao Pe. Sandoval e na manutenção de um Blogger BNE - Social. Como se pode vê, não falta trabalho…

De fato, o CEAS é muito grande e os trabalhos de ampla envergadura… contudo, não podemos esconder os nossos limites tanto humanos como institucionais para responder sempre mais. É perceptível em toda a Província o carinho e o apresso que são depositados nesta instituição, mesmo em seus momentos mais difíceis… Hoje, somos três jesuítas colaborando diretamente nesta entidade e em trabalhos diversos (Pe. Andrés, Pe. Sandoval e eu).

Quero agradecer mais uma vez a confiança depositada na qualidade deste nosso trabalho e em nossa busca por “um novo céu e uma nova terra, onde os pobres possam morar!” (Mt, 5), pois enquanto caminhamos vivemos a esperança… Espero que tanto as publicações do CEAS como o Boletim “Apostolado Social” estejam animando e motivando um maior compromisso e engajamento nas lutas do nosso tempo, nas nossas diversas realidades tanto pastorais como profissionais.

Nossa ação não pode prescindir de uma reflexão, que, por exigência mesmo do nosso tempo, deve ser cada vez mais apurada… para não cairmos nos reducionismos costumeiros. A pobreza crescente em nosso continente nos põe um dramático problema de justiça, que aumenta a desigualdade e não reconhece a cada povo os seus direitos básicos. Tal realidade torna impossível a realização do Humanismo pleno que a Igreja almeja e persegue para que as pessoas e os povos possam ser mais. (In.: A comunidade internacional. Doutrina Social da Igreja, p. 253, Paulinas, 2005).

Enquanto caminhamos sonhamos, ainda que acordados… pois é sempre bom manter a alegria de quem sabe cantar, de quem sabe esperar e lutando, conquistar o que deseja; mesmo pagando as penas.