Apostolado Social 35ª CG

fevereiro 27, 2009 by Setor Social BNE  
Filed under Reflexão

por Geraldo De Mori SJ

Os Decretos da 35ª CG que tratam de aspectos que identificamos como pertencendo ao apostolado social da Companhia de Jesus são basicamente os que retomam a questão de nossa identidade (Um fogo que acende outros fogos. Redescobrindo nosso carisma) e missão (Desafios para nossa missão hoje. Enviados às fronteiras). Nesses textos, mais que de um apostolado em particular, busca-se reinterpretar o que somos e fazemos enquanto jesuítas, à luz das grandes transformações em curso no mundo de hoje, como as provocadas pela globalização econômica e comunicacional e as oriundas da crise ecológica e da cultura pós-moderna. Nesse contexto, a CG 35ª reafirma vigorosamente a opção das CG 32ª a 34ª, a saber, o compromisso com a justiça, a evangelização inculturada e o diálogo com as outras religiões. Uma categoria privilegiada no Decreto sobre os desafios da missão foi a do chamado a estabelecer relações justas (com Deus, com os outros e com a criação), baseadas na idéia de reconciliação. A imagem das fronteiras também foi utilizada como inspiradora desses Decretos, além de ter sido retomada pelo Papa como traduzindo o lugar dos jesuítas na Igreja. O Decreto da missão assumiu, como o havia proposto há alguns anos o Pe. Kolvenbach, a questão da migração e dos refugiados como uma das cinco preferências apostólicas da Companhia hoje.

Além dessa retomada das orientações das últimas CG, que fecundaram todos os campos da missão da Companhia depois do Vat. II e suscitaram muitas atividades no campo do apostolado social, a CG 35ª abordou vários temas mais propriamente identificados com o apostolado social. Entre eles se destacam: migrantes; ecologia, meio ambiente e globalização; povos indígenas. Eles não deram origem a Decretos, pois faziam parte das “Questões para o governo ordinário”, mas suscitaram um vivo debate e interesse de todos os congregados.

Como se pode ver, mais que novos Decretos sobre os grandes setores a partir dos quais a Companhia desenvolve sua missão, e mais que novas orientações sobre as frentes apostólicas a serem privilegiadas hoje, a CG 35ª optou por reafirmar o que já foi dito nas CG anteriores. Esta decisão deve-se à consciência que ela teve de que o que foi dito nos últimos 40 anos não só é ainda válido, mas que necessita ser implementado, num novo processo de recepção e invenção criativa, que nos conduza com ousadia às “novas nações” às quais se referia o Pe. Adolfo Nicolás na homilia que fez na primeira missa em que presidiu como Geral: “nações, não geográficas, mas humanas reclamam nossa assistência: os pobres, os marginalizados, os excluídos. Neste mundo globalizado aumenta o número dos que são excluídos por todos. Dos que são diminuídos, porque na sociedade só têm lugar os grandes, não os pequenos. Todos os inferiorizados, manipulados, todos estes, são talvez para nós estas nações”.

O que foi dito na 35ª CG é alentador para o trabalho social de nossa Província, tão bem expresso em seu Plano Apostólico, seja na definição de nossa identidade e missão, seja nos princípios que orientam nossa ação, seja na área estratégica que traduz nosso compromisso social, seja nas obras do setor Justiça Social. Com certeza, os Decretos desta CG contribuirão para que se reacenda em nós o “fogo que acende outros fogos”, sobretudo nessa dimensão e setor que quer servir aos mais pobres desta região do Brasil à qual somos enviados em missão.