Cresce a violência em Salvador

setembro 16, 2009 by felipeassj  
Filed under Destaques, Reflexão

Por Ivan Luiz Santana

Publicado em: 13/12/2007 - 20h47min

A capital baiana que é conhecida por sua magia e encanto está se tornando uma cidade violenta. De acordo com as estatísticas, durante o ano de 2006 foram registrados 678 assassinatos. Entretanto, este ano, até agora já foram computados 957 casos de assassinatos, que gera um aumento de quase 40% se comparado com o ano passado.

Bairros como Tancredo Neves (37 mortes) e São Cristóvão (34 mortes), integram a lista dos locais considerados com maior índice de violência. Na região metropolitana de Salvador, a cidade de Lauro de Freitas também tem elevado seu índice de criminalidade. O bairro de Itinga é o mais citado nos noticiários policiais.

No subúrbio ferroviário também não é diferente. Comerciantes do bairro de Periperi reclamam da falta de segurança no local, até porque algumas casas comerciais já foram assaltadas e arrombadas. Aqui vale ressaltar que a 5ª Delegacia de policia, localizada também no bairro de Periperi, atende a 16 bairros com uma população estimada em 700 mil pessoas.

Mas não é só a periferia que sofre com a violência. No centro da cidade os bandidos também atacam em plena luz do dia. Parar na sinaleira de algumas avenidas de salvador, tornou-se um grande risco para os motoristas desavisados e ou descuidados. Na avenida Juracy Magalhães, o trecho em frente à entrada do Vale das Pedrinhas é um dos pontos preferidos dos bandidos.

De acordo com a polícia, no inicio da manhã e no começo da noite, horário de grande movimento no trânsito, são os mais perigosos, porque é quando os bandidos aproveitam o engarrafamento e a parada no sinal para agirem. No bairro da Pituba a situação é crítica. Mas na região do Parque da cidade que até o mês de setembro três motoristas em média eram assaltados por dia, depois da instalação de uma câmera de vigilância 24 horas e com policiamento constante, reduziu em média 70% o índice de furto.

A violência também deixa vítima na própria corporação da policia. De janeiro a novembro deste ano, ou seja, em 11 meses, 41 policiais foram mortos em confrontos com bandidos e ou por grupos de extermínio. Conforme relata o coronel Legsamon Garcia Mustafá – chefe do serviço de valorização profissional da polícia militar – a violência tem causado medo, insegurança e diversos outros problemas dentro da própria policia. Nos últimos dias, a população de Salvador foi surpreendida com as manifestações dos rodoviários contra a falta de segurança no transporte coletivo da capital baiana. Os rodoviários paralisaram suas atividades na estação da lapa e no terminal da França. De acordo com o sindicato dos rodoviários, o número de assaltos aos coletivos tem crescido assustadoramente. 

15 ANOS DE GRITO PROFÉTICO - Povo de Deus a caminho

setembro 15, 2009 by felipeassj  
Filed under Destaques, Reflexão

“A força da transformação está na organização popular”.

 

* Paulo Sérgio Vaillant

 

O “7 de Setembro”, dia oficial da Independência do Brasil, também conhecido como dia do “Grito do Ipiranga”, feito pelo então imperador Dom Pedro I, foi associado ao “Grito dos Excluídos” realizado em todo o país desde 1995 e que, nos últimos anos, ganhou repercussão em toda a América Latina.

 

Quem diz que a Campanha da Fraternidade não traz nada de concreto, pode se convencer, entre diversos exemplos, que o “Grito dos Excluídos” é algo muito importante que nasceu há 15 anos, como fruto de uma Campanha que levantou em todos os cantos e recantos do país, a justa bandeira de luta do povo excluído.

 

Os excluídos dispõem, realmente, de poucos mecanismos e meios de organização. É verdade! Mas eles sempre gritaram e seus gritos têm algo de muito profundo e original. Por isso eles seguem gritando ainda hoje. Quando este grito ecoou no coração do povo organizado nas Igrejas Cristãs, ele passou a ser um grito profético. É por isso que há 15 anos vem contagiando milhares pessoas e centenas de Movimentos e Instituições afinadas com a defesa e a promoção de todos os direitos para todos, que inclui hoje, os direitos cósmicos.

 

Se aquele “grito”, há quase dois séculos atrás, marcou Brasil e sua relação de independência política e econômica com a colônia portuguesa, ele hoje ainda faz sentido existir. Pois “independência” é um processo, que exige muita vigilância criativa, principalmente em tempos de globalização interplanetária. Além daquela dimensão maior, há muitos brasileiros e brasileiras que vivem em condições sub-humanas formando uma grande massa de excluídos e excluídas e até de escravos ilegalmente dependentes.

 

Todo excluído é por condição social, dependente e se ele não é ouvido, jamais consegue superar a estrutura cultural excludente. O que devemos buscar é a interdependência, a comunhão, a sinergia e a inclusão. Mas isso supõe, antes de tudo, uma relação entre iguais, onde todos e cada um e cada uma tenha respeitado seus direitos, inclusive o de ter direitos e oportunidades iguais, por exemplo. Para isso, o trabalho com dignidade é fator essencial neste processo, pois é ele que dignifica o ser humano.  Diz Jesus Cristo: “Meu Pai trabalha e eu também trabalho” e “todo trabalhador é digno de seu salário”, nos exorta São Paulo.

 

Oxalá, se todo cidadão e cidadã, após concluir sua formação física e intelectual, tivessem direitos e oportunidades iguais para se realizarem como ser criativo a imagem e semelhança de seu Criador!

 

Aqui em Vitória-ES o Grito dos Excluídos levou às ruas, nesta manhã, milhares de capixabas excluídos/as e/ou solidárias com estes. Após a concentração, caminhamos, cantamos e gritamos unidos pelas ruas, ainda que meio desertas, paramos nas escadarias do Tribunal de Contas, do Tribunal de Justiça  e da Assembléia Legislativa, com vassouras em punho e um caminhão pipa com água suficientes para lavar os degraus, que todos os dias conduzem homens e mulheres públicos ao trabalho, que deveria ser pautado pela ética, a justiça, a honestidade, a competência e a transparência, pois afinal, é um trabalho pago com o dinheiro público e, neste sentido, por cada um e cada uma de nós.

 

O que mais se ouviu foram gritos de indignação e até de desespero, diante de tanta injustiça, corrupção, impunidade e mentira em nosso Estado, que fazem crescer, cada dia mais, a insegurança e a violência que ceifa tantas vidas de crianças, adolescentes e jovens, que deveriam estar sendo adequadamente formadas para continuar cuidando da vida com dignidade, justiça e paz.

Assim como o “grito do Ipiranga” foi seguido da suposta expressão do imperador: “Se é para o bem da nação, digam ao povo que fico”, podemos dizer que o “Grito dos Excluídos”, também veio para “ficar” e ele hoje faz parte integrante da Pastoral da CNBB, outras Igrejas cristãs e da Agenda dos Movimentos Sociais e instituições afinadas com ele.

Aqui em Vitória, três coisas podem ser consideradas inovadoras neste 15º aniversário do Grito dos Excluídos. Primeira: ter sido desconectado da Festa Cívica e Militar oficial que aconteceu na parte central da cidade. O Grito optou pela avenida beira-mar aos redores das “Casas de Leis e de Justiça”; Segunda: preparar os gritos à partir de três perspectivas: Política Econômica, Políticas Públicas  e Políticas Sociais e de Economia Solidária, fazendo críticas contundentes e apresentando alternativas viáveis que dão razão de nossa esperança; Terceira: ter sido mais simbólica. Daí a opção por um momento de mística cristã inicial, uma caminhada pelas ruas e avenidas e as paradas com denúncias graves e a lavagem das escadarias, dinamizados pelo chamado “Comando de caça aos corruptos”  que transportou ao longo de todo o percurso um enorme e assustador dragão e uma cadeia superlotada de “ladrões públicos = corruptos” sendo detetizada e vigiada por guardas 24 horas.

Vale destacar a participação direta das Pastorais da Juventude e da Cáritas Arquidiocesana, a cobertura integral da grande imprensa e a presença de autoridades das Igrejas Cristãs, Políticas e da OAB. Os Sindicatos ligados à CUT e o Movimento pela Moradia também tiveram participação relevantes.  

Este “Grito dos 15 anos” confirmou o que consideramos ser a Vontade de Deus: “a vida em primeiro lugar!” e deixou-nos um bom sentimento e o compromisso que deve ser cultivado e promovido pelos Movimentos e Pastorais Sociais que estão ressurgindo com bastante vitalidade. Eles são como “brasas sob cinzas”, diria L. Boff, que precisam apenas de um sopro vital para voltar a “incendiar” as massas excluídas.

 Há um sentimento bastante generalizado de satisfação e realização de sonhos e utopias políticas, por um lado e, por outro, o fato de ter havido muita cooptação e engajamento nos governos nacional, estadual e municipal, após a eleição de Lula a Presidência da República, onde muitos companheiros e companheiras ocuparam importantes cargos eletivos ou de confiança, causando bastante acomodação e desarticulação. As maiores exceções são o MST e os Movimentos Indígenas que estão bem articulados de norte a sul deste país.

Muitos militantes sociais e eclesiais embarcaram na frágil e até mágica esperança de que nossos companheiros/as eleitos ou contratados pelos governos, seriam capazes sozinhos de realizar todas as mudanças estruturais que nós queríamos e seguimos ainda hoje desejando. O “grito” é um sinal de que o povo está se movimentando e cobrando criticamente e participando um pouco mais. A mudança verdadeira, somente o povo pode fazê-la. *Dom João Batista da Mota Albuquerque, disse durante as graves enchentes aqui no Espírito Santo na década de 70 que “O povo salva o povo”, referindo-se ao “milagre” da solidariedade fraternal vivida intensamente pelo povo capixaba.

Esta tomada de consciência nos parece um bom sinal. Algo parecido está se passando também com as Comunidades Eclesiais de Base, como constatado recentemente em Porto Velho-RO, no XII Intereclesial das CEB’s. Precisamos manter-nos vigilantes, transformando nossa justa indignação em ações concretas e criativas, pensando globalmente e agindo no local onde vivemos e sonhamos com outros mundos possíveis, sem exclusão.

*1- Presbítero na Arquidiocese de Vitória – psvaillant.sj@gmail.com

*2 - Dia 02 de setembro passado Dom João completaria 100 anos de vida entre nós.

 

Saudades de D. Hélder Câmera

setembro 3, 2009 by felipeassj  
Filed under Destaques, Reflexão

digitalizar0002-d-helder1

Meu Poeta das madrugadas,
que conversava com o futuro
e segurava o passado nas mãos,
tudo o que ficou de ti é rumo a ser seguido,
é esperança de que ainda haja paz!

Meu Profeta do milênio,
que imaginavas um mundo melhor,
onde os homens fossem felizes
e nunca, nunca perdessem a fé no Pai
e nos outros homens…

Meu Profeta, que saudade desses 10 anos de distância,
mesmo que tudo o que deixaste registrado
seja alento, conforto, meta…
e que vivamos o esforço diário
de relembrar teu ideário diante da vida…

Por onde andas, meu Profeta?
Que anjos cantam ao redor de ti,
o doce cântico de louvor e de fé?…
Que vozes fortes iguais à tua
ecoam no paraíso onde foste viver?

As lembranças são muitas, meu Poeta…
elas são maiores agora, neste agosto,
quando sabemos que te fostes há 10 anos
e nos deixaste órfãos das maravilhas que criaste,
fortificados pelo amor que ensinaste pela vida…

Olha por nós, santo homem de bem,
para que nunca arrefeça a coragem que ensinaste
e seja sempre com ela o nosso caminho
marcado pelas pegadas deixadas por ti,
para que pudéssemos caminhar à tua sombra!

Olha por nós, São Helder de tantas maravilhas!

Olha por essa humanidade perdida,
desesperançosa, sofrida e triste,
restabelecendo em todos o ardor para a luta
e a força para continuar lutando!

Deus te guarde, Helder, nosso Pastor, para sempre!

Boletim Apostolado Social nº 11

abril 29, 2009 by manoelnascimento  
Filed under Ação, Destaques

Boa leitura!

Clique aqui para acessar o Boletim.

Bispo marca a importância das CEBs

abril 29, 2009 by felipeassj  
Filed under Destaques, Reflexão

  

A caminho de Porto Velho, a igreja pastora da criação 

 

Por, Portal das CEBs http://www.cebs12.org.br/

As CEBs de Porto Velho com entusiasmo preparam os últimos detalhes para o grande momento do 12º. Intereclesial.  Cristo continua apontando o caminho para a Amazônia e a Tenda vai se alargando cada vez mais para acolher os cebianos de todos os cantos e recantos do Brasil. Bem-vindos delegados do Intereclesial, vocês são os protagonistas do Encontro! Bem-vindos povos indígenas e povos da América Latina! Bem-vindos os convidados brasileiros e de várias Nações! Venham para a alegria da convivência entre irmãs e irmãos de caminhada, com as famílias acolhedoras e com os amigos e amigas voluntários sentir a força das CEBs!

 

Na Amazônia e em todo o mundo, diziam os bispos reunidos em Manaus, a Igreja é chamada a ser “pastora da criação”. Também neste campo, as comunidades são portadoras de uma profecia que contesta o modelo de desenvolvimento sócio-econômico predatório, ainda vigente, mesmo se usa termos mais disfarçados e assume até adjetivos como “sustentável”. Elas sabem que podem aprender muito do diálogo e da inserção com as comunidades indígenas, afro-descendentes e grupos tradicionais que mantêm sua sabedoria no trato com a Terra-mãe, a Água e todos os seres vivos.

 

Quem nos conduz nesta reflexão das “Comunidades testemunhas da integridade da Criação” é Marcelo Barros no Texto-Base. Ele afirma que a defesa e a proteção dos biomas brasileiros e principalmente da floresta precisam da sabedoria ancestral dos povos da floresta, como não podem recusar as técnicas e descobertas da ciência moderna aberta à proteção da vida. Entretanto, a base e raiz do compromisso com a criação é a formação e aprimoramento de uma espiritualidade que nos ajude a ver a presença divina em todos os seres e nos estimule a seguir Jesus Cristo como mestre e adorar a Deus, Pai e Mãe de amor na comunhão operante com todos os seres vivos e com o universo inteiro.

 

Cremos que a morte e a ressurreição de Jesus Cristo realizam uma transformação que não é somente interior e nem social nas pessoas tocadas por este mistério. Implanta uma criação nova no seio da terra e do céu. Abre-nos à dimensão universal de uma comunhão imensa entre todos os seres vivos formando a “comunidade da vida”.

 

Assumir hoje este compromisso de defesa da criação e comunhão com o universo é inerente à defesa da vida humana e ao compromisso com a paz e a justiça. Sem ecologia social, não conseguiremos fortalecer uma ecologia ambiental justa. Assim unimos os mártires da justiça e da libertação a esta causa de comunhão com a criação divina e aceitamos continuar o seu testemunho.   

 

Que o 12º Intereclesial de Porto Velho nos ajude a dar um passo a mais nesta profecia martirial. Assim, resgatamos a memória de uma grande multidão de mártires, conhecidos e anônimos, os acolhemos em nossa grande comunidade de fé e caminhamos para a vida nova pela qual eles deram a vida.

 

Equipe do Secretariado e Comunicação

  

Última atualização em Dom, 14 de Junho de 2009 03:50